Capital de Yucatán, Mérida, torna-se a quarta cidade a aderir ao programa de seguro climático

  • 31 May 2022

Mérida, México, capital da Península de Yucatán, tornou-se a quarta cidade-piloto a expressar interesse em aderir ao Urban Infrastructure Insurance Facility (UIIF) durante o ICLEI World Congress, realizado em Malmö, Suécia, de 11 a 13 de maio de 2022. Mérida junta-se a outras três cidades-piloto do projeto que já haviam manifestado interesse: Recife, Brasil; Kingston, Jamaica; e Monterrey, México.

O UIIF fornece proteção de seguro que resguarda infraestruturas críticas e populações vulneráveis em cidades da América Latina e do Caribe contra os impactos da crise climática. Ele é implementado pelo ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade e financiado pelo governo alemão por meio do KfW – Banco de Desenvolvimento, em nome do Ministério Federal de Cooperação Econômica e Desenvolvimento.

“Mérida já está enfrentando as consequências das mudanças climáticas, como ciclones e furacões”, disse o prefeito de Mérida, Renán Barrera. “O Urban Infrastructure Insurance Facility é um mecanismo inovador para proteger os cidadãos e ativos valiosos da cidade.”

Barrera assinou uma carta de intenção para iniciar uma avaliação de necessidades e um estudo financeiro que estabelecerão a base para uma apólice de seguro sob medida contra mudanças climáticas e desastres naturais, durante uma reunião bilateral restrita a convidados no ICLEI World Congress.

Riscos climáticos

Mérida, assim como o México em geral, enfrenta múltiplos riscos climáticos, incluindo elevação do nível do mar, tempestades mais fortes, aumento das temperaturas, secas e chuvas mais intensas, de acordo com o ClimateLinks da USAID. Até 2050, projeta-se que a temperatura média aumente em até 2°C, a precipitação anual aumente em 18% em dias de chuvas extremas e o nível do mar suba 0,7 metros na costa atlântica. Em Yucatán, os impactos climáticos resultarão em maior mortalidade humana, perturbação da agricultura e da pesca, secas, incêndios, doenças e escassez de água, segundo Salvador Flores Guido, professor pesquisador da Universidad Autónoma de Yucatán.

Também participaram da assinatura líderes de duas outras cidades-piloto do UIIF: o senador-conselheiro Delroy Williams, prefeito de Kingston, Jamaica, e Isabella de Roldão, vice-prefeita de Recife, Brasil.

“A Jamaica é o terceiro país mais exposto do mundo”, disse Williams. “90% da nossa população está exposta a eventos relacionados ao clima, e 46% residem em Kingston.”

De acordo com uma avaliação de risco do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Kingston perderia mais de US$ 2 bilhões em infraestrutura pública durante uma tempestade com período de retorno de 500 anos, enquanto a Jamaica como um todo perderia US$ 2,4 bilhões em infraestrutura durante uma tempestade com período de retorno de 250 anos. Tais tempestades estão se tornando cada vez mais comuns como resultado da crise climática.

Outro piloto do UIIF, Recife, é uma das cidades mais vulneráveis do Brasil, disse Isabella de Roldão. Ao aderir ao programa de seguro, Recife sediará o maior estudo de risco da região, incluindo uma avaliação de populações vulneráveis com foco especial em gênero. “O acesso a recursos financeiros é difícil, pois são escassos”, disse ela. “Esses esforços do ICLEI e do KfW são muito necessários.”

Vantagens do seguro

Andreas Bollmann, especialista em finanças de risco climático e resseguro global e sócio fundador da Faber Consulting AG, discutiu os benefícios para as cidades de contratar seguros contra riscos climáticos agora, em vez de esperar até depois que o desastre ocorra. O seguro faz parte de uma estrutura abrangente de gestão de risco de desastres, fornecendo rapidamente recursos financeiros após um desastre e oferecendo estabilidade financeira em tempos difíceis, disse ele.

“Ao contrário de contrair dívida, que é paga por futuras administrações municipais e gerações, o seguro é contratado hoje, pago hoje, e os benefícios podem ser recebidos no momento em que são necessários”, disse Bollmann. “Isso evita que as cidades entrem em inadimplência ou, pior ainda, que deixem de investir no que a cidade precisa para pagar uma dívida.”

O secretário-geral do ICLEI, Gino Van Begin, destacou o seguro como uma parte essencial de uma estratégia integrada de adaptação urbana para a gestão de riscos de desastres.

“Embora possamos antecipar um futuro que não será muito indulgente, também temos a oportunidade de usá-lo como um trampolim para superar essas vulnerabilidades e recorrer a uma solução financeira de seguro única, que se encontra na interseção entre governos locais e o setor privado”, disse Van Begin. “A essência do projeto é o co desenvolvimento, e aprenderemos juntos a tornar nossas cidades seguras e resilientes de forma integrada.”